Viajando de Avião com seu Pet: DURANTE a Viagem

Viajando de Avião com seu Pet: DURANTE a Viagem

No primeiro post da nossa série sobre viagens de avião com seu pet, falamos sobre as principais questões que surgem antes da viagem do seu pet (clique aqui para acessar o primeiro post).

Agora vamos falar um pouco sobre os cuidados a serem tomados durante a viagem. Mais uma vez, contamos com a colaboração da Carolina Neves, consultora de viagens pet e comportamentalista de cães e gatos no Brasil*.


Requisitos sanitários atendidos, passagens compradas, documentação pronta...chegou a hora da viagem. E começam a surgir as preocupações. Será que a documentação está mesmo correta? Posso dar uma remédio para o pet dormir? Será que o pet já embarcou? Será que o animal está bem durante a viagem? Será que estão manipulando a caixa de forma delicada? Será que o pet vai se adaptar logo à nossa nova casa?

Não vou mentir, essa parte foi a mais difícil pra nós, pois as coisas não estão mais sob o nosso controle, especialmente porque a Gaia viajou desacompanhada. A empresa responsável a buscou na casa dos meus pais em São Paulo de manhã e ela foi entregue na nossa casa em Londres no dia seguinte, na hora do almoço. Durante esse período, recebemos algumas fotos e atualizações sobre a viagem, mas o coração ficou apertado.

Ainda assim, há algumas precauções que podem ser tomadas antes, durante e depois da viagem para aliviar (pelo menos um pouco) essa angústia dos tutores e contribuir para que você e o seu pet passem por tudo isso de forma mais tranquila.

Dias imediatamente anteriores

Nos dias imediatamente anteriores à viagem, é importante pensar em algumas medidas preventivas, especialmente relacionadas à saúde, alimentação e bem-estar do pet. Pedimos para a Carolina explicar alguma delas:

"Mesmo considerando todo o treinamento da caixa de transporte, temos que nos atentar também à véspera da viagem e já planejar alguns processos um ou dois dias antes.

Intensificar atividades de gasto de energia que o pet já está habituado, vai ajudar para que ele se mantenha tranquilo no momento da viagem - atividades como passeios em locais sossegados, incentivar que o dog fareje bastante para relaxar (se puder ser em meio a natureza, melhor ainda).

O último passeio ou atividade mais longa pré viagem deve ser planejado após a última refeição do pet no dia, pois é importante que o animal esteja de jejum durante a viagem. O manejo alimentar vai trazer muito mais conforto ao pet, já que ele terá menos vontade de se aliviar durante o percurso e menos possibilidade de enjôos sem alimento no estômago.

Lembrando que todo planejamento de jejum deve ser acompanhado sob orientação do veterinário do animal e adequado às necessidade de cada pet.

Evitar oferecer alimentos e petiscos diferentes da dieta habitual na véspera da viageml é uma boa ideia para evitar qualquer situação gástrica inesperada.
Alimentos úmidos completos são interessantes, pois vão ajudar o pet a manter a hidratação e uma maior digestibilidade durante todo o processo."

No dia da viagem

O dia da viagem é o mais difícil, já que, com exceção dos pets que viajam na cabine com seus responsáveis, ninguém terá acesso ao seu animal durante o vôo e você, infelizmente, não tem como saber se ele está dormindo ou agitado, tranquilo ou com medo. Por isso o treinamento prévio, sobre o qual falamos no post anterior, é tão importante.

Como a Gaia viajou via cargo, nós fomos recebendo fotos e atualizações da empresa durante todo o trajeto. Eles nos avisavam sobre cada passo: chegou no aeroporto, passou pelos procedimentos pré-embarque, foi entregue à companhia aérea, o voo decolou, o voo pousou, ela chegou bem e já está no Centro de Recepção Animal do aeroporto de Londres (onde comeu e fez as necessidades) e - finalmente - está no carro a caminho da casa.

Abaixo, a Carolina esclarece algumas dúvidas que muitas pessoas possuem sobre a viagem em si e dá outras sugestões interessantes que podem ajudar você e o seu pet nesse dia.

"No geral, o pet que viaja no porão não será alimentado durante o percurso. Existem modelos de viagem com escalas mais demoradas em locais que contam com uma estrutura para que o pet possa sair do transportador para se aliviar, descansar e se alimentar em segurança. Mas, normalmente, o que é exigido é que seja enviada uma porção de alimento seco sobre a caixa, além de deixar a postos comedouro e bebedouro preso na porta da caixa, para o caso de alguma emergência.

Na caixa em si, é permitido colocar um tapete absorvente, mas o pet não pode levar brinquedos nem estar de coleira para evitar acidentes. Um colchonete macio e um paninho com o cheirinho de casa pode ser preparado, mas temos que torcer para que a Cia permita (e não o perca). Também é importante manter as unhas cortadas para que elas não se prendam em nada e seu animal não se machuque.

Há também a possibilidade de colocar uma Airtag (dispositivo localizador da Apple) no transportador, como mais um item de segurança. É possível fixá-lo do lado de fora da caixa, sob fita transparente para fácil identificação. Apesar de não ser 100% certeira na localização, pois depende da rede dos aparelhos vizinhos se atualizando junto ao sinal das redes de telefonia e internet sincronizadas, é mais uma ferramenta para auxiliar a nossa tranquilidade.

Depois que o pet é encaminhado ao embarque, sempre fica uma sensação de:  'Será que ele já está mesmo no avião?'

Sugerimos sempre aos tutores que levem uma cartinha com uma foto do seu pet e entregue a alguém da tripulação com um mimo, pedindo que confirme com o piloto se ele está sabendo que seu bichinho está a bordo e se certifique de controlar a temperatura e pressurização do local onde ele viajará.

Isso só é possível quando pet viaja no modal acompanhado e normalmente causa uma comoção muito legal por parte da equipe de vôo.

Outra questão importante: muitas pessoas acreditam no mito de que é preciso medicar o animal que vai passar por qualquer deslocamento mais longo, e isso é extremamente perigoso! Drogas para sedação em geral, quando usadas sem critério, podem levar seu animal a óbito.

Além disso, alguns destes medicamentos causam efeito sedativo aparente, mas os animais continuam sentindo e sofrendo com os efeitos estressores da mesma forma. Contudo, nesse caso eles ficam com os seus sinais vitais desregulados e perdem totalmente os paramentos saudáveis para lidar com a situação em si.

O melhor remédio para essas ocasiões se chama TREINAMENTO!!!
Ele sim pode transformar qualquer situação desafiadora em um momento tranquilo."

Ao chegar no destino

Finalmente! O meu pet chegou bem em casa, então já posso parar de me preocupar, certo? Não é bem assim...de fato, a pior parte da viagem já passou, mas ainda é importante monitorar o seu pet nos primeiros dias depois da viagem e ajudá-lo a se adaptar ao novo local, à nova casa e à nova rotina. Sempre respeitando o tempo de cada pet.

Nas primeiras 24 horas, é normal o animal apresentar alguns sinais de estresse como falta de apetite, ansiedade, cansaço, jet-leg, entre outros. É importante deixar o pet descansar e monitorá-lo de modo geral. Evite exageros nesse primeiro momento, seja com comida, água ou exercício.

A Carolina dá algumas dicas do que fazer nos primeiros dias.

"Chegando em casa os cuidados não acabam, rs. Lembre-se que seu bichinho não tem consciência de que está em outra cidade ou país e que vai chegar numa casa nova, com cheiros e vistas diferentes, que seus passeios vão ser por outros caminhos e que pode ser mais frio ou calor do que ele está habituado.
Ter paciência nesse processo é muito importante!

Aos poucos, tente manter a rotina de alimentação, brincadeiras e passeios. Lentamente, sem pressa, no tempo de cada animalzinho. Podem acontecer mudanças no comportamento, alguma questão de saúde oportunista, tudo por conta do estresse de todo o processo - para pets e humanos também.

Já na primeira semana, se informe sobre as leis específicas do local para animais de companhia - existem países que cobram taxas ou exigem uma identificação específica. Em outros, é necessário um cadastro em hospitais veterinários.
O ideal mesmo é tentar coletar o máximo de informações antes mesmo da viagem.

Podem existir regras específicas para algumas raças, exigência de que os animais sejam esterelizados, que não tenham amputação de orelhas ou cauda (ação proibida no Brasil) e até mesmo a proibição de entrada de animais de algumas raças ou de qualquer pet, dependendo do país de origem.

A maior atenção ao seu pet nas primeiras semanas vai valer a pena quando a rotina já estiver estruturada e todos puderem aproveitar juntos essa nova aventura :)"


Esperamos que essas dicas e informações possam ajudar outros tutores e pets a passar por essa experiência desafiadora de forma mais tranquila.

No próximo post, falamos sobre os principais cuidados a serem tomados depois da viagem, a fim de facilitar a adaptação do seu pet no novo lar (acesse aqui).

* Carolina Neves é consultora de viagens pet, comportamentalista de cães e gatos no Brasil, fundadora do Consultoria Pet e há 18 anos trabalha diretamente auxiliando famílias a compreender e se comunicar melhor com seus animais.